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Mar de devaneios

Perdida no oceano de pensamentos, encontrei-me a mim e o que queria ser.

Perdida no oceano de pensamentos, encontrei-me a mim e o que queria ser.

27
Jul23

Vamos falar de Kdramas?


Effy_Edwards

Fugindo um pouco dos meus devaneios habituais, tenho andado um pouco desaparecida por aqui, mas entretanto decidi aparecer para falar de um projecto que estou a desenvolver em paralelo. Na realidade dois, mas como o tempo não dá para tudo acabei por me dedicar um pouco mais à minha ideia principal. E qual é o projecto? 

Ora bem, há cerca de um ano, quase dois anos, comecei a ver Kdramas e a apaixonar-me pela forma diferente do enredo, personagens, entre outros. Não é que não continue a consumir séries americanas, inglesas ou europeias, contudo as séries da Coreia do Sul e do Japão ( e até da China - vi o meu primeiro Cdrama na última semana) têm outra magia que essas não têm. Confesso que sempre fui muito cética, mesmo gostando de ver animes desde nova (ou seja, conteúdo japonês), sempre achei que os Kdramas eram demasiado infantis e/ou demasiado lentos. O que eu não sabia é que tentei ver os errados. 

Como romântica incurável, apesar de não parecer por vezes, tenho-vos a dizer que a nível de felicidade de consumo, os Kdramas deverão ser o conteúdo que me dá mais prazer de assistir. Eles focam-se tanto nos pequenos detalhes, que é delicioso. Talvez seja isso um dos pontos fortes do conteúdo sul coreano, pois nós andamos sempre a correr de um lado para o outro, agitados e quase sem tempo para nada, e nos filmes e séries coreanas tudo é mais lento e representando com outros olhos. Eles captam a essência dos relacionamentos, tanto românticos, como de amizade. Claro que há excepções e também não é tudo obras primas, mas de forma geral é o que eu acho genuinamente. Se quiserem ver um dos meus Kdramas favoritos, aconselho vivamente "Twenty five - Twenty one". 

Além disso, se esquecermos o romance, têm filmes e séries muito boas de drama e thriller. Claro que novamente depende muito da série, mas por exemplo "The Glory" é uma das séries que eu mais gostei de ver, em que a temática principal é vingança. 

Relativamente a comédia, acho que às vezes são bastantes exagerados, mas se percebemos que faz parte do enredo acaba por não parecer tão estranho. Recomendação desse género é  "Vincenzo".

Há Kdramas que são mais sérios e focados nos relacionamentos e outros que simplesmente são como comer beber um chocolate quente com uma manta nas pernas num dia gelado - são mega reconfortantes. 

E o que tem isto tudo a ver com o projecto?

Após essa obsessão, decidi fazer uma espécie de ranking, através de um lista no meu telemóvel, em que apontava o nome do Kdrama que queria ver ou tinha visto e a minha opinião. Inicialmente era só para mim, mas acabou por ser uma forma de partilhar com os meus amigos. Paralelamente a isso, dava por mim muitas vezes a pesquisar opiniões de outras pessoas de forma a saber o que ia ver a seguir. O problema? Os malditos spoilers. Há montes de reviews mas com imensos spoilers desnecessários.

Por isso, decidi criar um espaço, neste caso um blog, bilingue (EN e PT) com as reviews de vários Kdramas, sem qualquer spoiler. Juntamente criei uma conta Instagram, de forma a partilhar reviews mais curtas e quotes das séries. @onemorekdrama 

Poderão acompanhar todas as quintas às 21h uma nova review. 

Achei que seria interessante partilhar, pois deverá haver mais amantes para aí de Kdramas, e/ou pessoas que gostariam de começar a ver, mas não sabem por onde começar.

Digam-me o que acham ---- > One More Kdrama

 

27
Jun23

Crónicas sobre ansiedade


Effy_Edwards

Sempre pensei que tinha atingido o cume da ansiedade na faculdade. Era trabalho, estágio e mestrado. Era uma loucura sem fim. Eram fim de semanas fechada num centro comercial a trabalhar no meu part-time e muitas vezes durante a semana, entre trabalho e estágio, trabalhava das 7h às 23h e ainda tinha que estudar, fazer trabalhos ou, mais tarde, escrever a tese. Era puxado, e por vezes a ansiedade batia-me à porta. De tal forma que me imobilizada. Nunca mais esqueço da primeira vez que isso me aconteceu, estava num shopping e tinha planeado ir ao cinema com o meu namorado e depois fazer um trabalho ou estudar. Tinha tudo planeado na minha cabeça. Contudo houve um problema e tivemos que ir à sessão seguinte. Em vez de cancelar, teimei que queria ir e de repente estava imóvel. A ansiedade de saber que estava a perder tempo era tão grande que de repente não conseguia reagir. Isso foi há cerca de uns 3/4 anos. Pensei, honestamente, que isso seria o pior. Mas como já devem calcular não foi. 

Passado uns 2 anos, estava num bom trabalho, mas sem muitas perspectivas de crescimento, no ramo da logística. Era stress constante, eram deadlines para cumprir e muitas urgências que tinham que ser resolvidas durante férias, ou depois do horário de saída. Eu adorava o que fazia e a minha equipa, mas a minha ansiedade andava a tramar as dela. Adorava conduzir. Adorava andar de um lado para o outro, a ouvir música e a cantar. Até que tive um acidente de carro. Apanhei óleo na estrada e estraguei a frente do carro. Não foi nada de especial, mas durante mais de um ano não consegui conduzir normalmente. Ainda hoje, se estiver muito stressada, ou cansada, custa-me conduzir. O meu cérebro pensa constantemente que vou morrer. Que vou perder a visão, os sentidos e ter um novo acidente. Contudo, como devem calcular, isso também não foi o pior. Entre ataques de pânicos pontuais, conduzir a 70km/h numa auto estrada e procurar apoio psicológico as coisas foram melhorando. 

Este ano, a ansiedade decidiu aparecer de mansinho, como quem não quer a coisa. Desta vez com as piores torturas de sempre. Decidiu lembrar-me que eu já devia ter dinheiro para a entrada de uma casa, e tenho que o fazer agora. Decidiu culpar-me de todas as decisões e mais algumas, e espetar-me um punhal no peito sempre que penso nisso. Dói, muito. Além disso, gosta de me lembrar que todos os cêntimos contam. Tudo conta. “Devias estar a fazer dinheiro em vez de estar a ver uma série”, “Devias estar a ver casas em vez de estares aqui”. Entretanto fico em modo batata a ver reels no instagram, ou então vou trabalhar. O meu porto de abrigo é o meu trabalho. É quando me sinto útil e realizada. Entretanto um novo trabalho, em que adoro o faço, mas também tem momentos difíceis. Desta vez não são urgências, mas situações ingratas entre colegas, situações que mexem comigo a nível psicológico, mas que honestamente tento ignorar. Um destes dias estava num táxi para o aeroporto e pensei que ia morrer, a ansiedade era tanta que eu pensei que ia desmaiar e morrer. Sei que parece ridiculo e eu sabia que aquilo era ansiedade, mas o meu peito ardia com a dor e a falta de ar. É algo surreal. O taxista conduzia mal e eu estava muito longe de casa, contudo não era razão para tal. No outro dia estava a trabalhar, e o assunto das casas passou-me pela cabeça e o meu coração começou acelerar, como se estivesse a correr a maratona. Há dias que nem me passa nada pela cabeça, mas a vontade de fugir e chorar é tanta que só não o faço porque me refugio a ver coisas aleatórias na internet. Há dias que nem falar direito consigo, de tão modo batata me encontro. Contudo hoje consegui escrever, e já me sinto feliz por isso. 

Inocente era eu quando pensei que a ansiedade ia ficar por ali... 

28
Dez22

Coabitar


Effy_Edwards

Escrevo para não entrar em ebolição. Escrevo para desanuviar. Adoro a minha mãe e reconheço tudo que fez e faz por mim, mas não ando aguentar. 

Tenho estado de férias, e por isso tenho passado mais tempo com a minha mãe.  E tem sido dificil. Tenho que parar muitas vezes mentalmente e respirar fundo. Tudo me enerva. A forma como ela se chateia comigo por dizer "cuidado" porque parecia que um carro nos ia bater, a forma como pede "se não te custar muito podes (...)?". Fala alta no cinema, comenta os filmes, chateia-se com todos os carros a conduzir (buzina, dá sinais de luzes). Coisas que achava piada quando era mais pequena agora só me irritam. Não nos entendemos com as lidas da casa. Para ela faço tudo mal e mais valia estar quieta. 

Há coisas que somos completamente diferentes, outras que me revejo cada vez mais nela. Contudo, começo a entender que o tipo de relação que ela quer ter comigo não faz sentido. Ela espera de mim às vezes uma amiga e eu não lhe consigo dar isso da mesma forma, e faz-me sentir mal. Agradeço a abertura que sempre teve comigo, e a forma como me sempre me explicou e fez ver o mundo. Mas não é justo que espere o mesmo que uma amizade. Eu reservo tempo com ela, para irmos ao cinema, jantar, almoçar, entre outros. Mas dói-me na alma quando ela me diz  que não lhe dedico tempo. Faz-me sentir mal e como se não tivesse a cumprir o meu papel. 

Não tenho um dedo apontar em relação a muitos outros assuntos. Mas estas pequenas coisas tiram-me do sério. E fico a reflectir. Será que me vai acontecer isso quando viver com o meu namorado? É possivel cansar de viver com alguém? Ou é algo completamente diferente? 

É nestes momentos que os meus objectivos se atropelam todos e o objectivo de "sair de casa" acelera a fundo e atropela tudo e todos. 

21
Dez22

Perdida


Effy_Edwards

Perdida entre o que quero ser e o que devo ser. Perdida entre o correcto e o incorreto, entre o desinteresse e a obsessão. Perdida entre sentimentos ou uma dormência total. Perdida entre "eu quero isto" mas "não é o que desejei". Perdida entre histórias que criei na minha cabeça e no que realmente é verdade. Perdida entre o que tenho a dever às pessoas e o que realmente devo. Perdida entre ser ou não ser, sentir demasiado ou não ser. Perdida entre falar demasiado ou não falar nada. Perdida entre parecer uma burra ou ter seriedade. 

Simplesmente perdida, sem rumo. Mas o tempo não para. A familia pede, o trabalho pede, os amigos pedem, e a vida arrasta. E eu vou, de um lado para o outro, entre ataques de euforia ou de tristeza. Aqui ando eu, aos abanões. Sem pensar demasiado, uma dia de cada vez, a criar mil e uns filmes na minha cabeça. A vida passa, o relógio não para e a música, o álcool e o tabaco são o meu consolo. 

Honestamente não foi assim que pensei em dizer olá aos meus 26, mas é o estado mental que me encontro. Perdida. E hoje não é domingo. 

12
Dez22

Adolescência outra vez não


Effy_Edwards

Há dias que me sinto uma verdadeira adolescente. Tantas sensações novas que não consigo expressar ou entender. Há dias em que realmente é dificil ser profissional, pois há tantos factores externos ou internos que me afectam. E o pior é não conseguir falar disto com ninguém. Porque sei o que vão dizer. 

Estou a tentar o meu melhor, juro que estou. Mas sinto que não é suficiente. O trabalho está acumular e o entulho na minha cabeça igualmente. Todos os dias acordo e penso que vou colocar isso de lado, mas todos os dias me vejo a ficar mais embrulhada num monte de decisões que de alguma forma tomei, mas não conscientemente. 

E de certa forma, sempre que saio da rotina e volto a casa, ou sempre que paro só fica tudo pior. A sensação não abranda, de todo. É muito barulho, é muita confusão e não consigo pensar. 

Sinto-me ansiosa e honestamente perdida. Faz-me lembrar quando tinha 16 anos. A única diferença é que na altura não tinha responsabilidades, e agora tenho. 

04
Dez22

A ilusão das expectativas


Effy_Edwards

É oficial, declaro domingos à noite como a altura mais triste e melancólica da minha semana. É a altura em que reflicto sobre o que aconteceu e no que vou fazer. É o momento em que coloco tudo na mesa e deixo a minha alma despida, a ser julgada. Isso acontece noutro dias e noutras alturas, mas essencialmente ao domingo à noite. 

Esta semana, o tópico é o trabalho. Tive uma viagem pela empresa, e correu muito melhor do que eu esperava. As pessoas eram mega simpáticas, divertidas e no meio de tudo recebi elogios e só palavras de incentivo pelo meu trabalho. E agora estou com medo, muito medo, de não conseguir corresponder às expectativas dos meus colegas. Muito medo de errar, e de fazer algo errado. Não, não foi um engano, quis usar efectivamente a palavra "errar" e "errado" para demonstrar o medo que eu tenho de não corresponder à imagem que criaram de mim. 

Sou uma pessoa que fico facilmente motivada, mas acho que ainda tenho muito que crescer. Tenho ainda muito que aprender e há ainda muitas capacidades que tenho que desenvolver. Uma delas é aprender a ponderar e controlar-me, pois por norma fico tão motivada com novos projectos que não consigo raciocinar se tenho capacidades para os fazer ou não. Quando estou no pico da montanha tudo me parece possivel. 

Quando estou em estado de euforia, tudo me parece tao diferente. A vida tem outra cor, e as minhas expectativas são super irracionais. Diria que é perigoso, mas é algo fora do meu controle. Torno-me um carro desgovernado, a descer uma colina. Honestamente, antes do acidente que tive, quando conduzia rápido, a sensação era a mesma. Era uma adrenalina assustadora, mas que no final se tornava em serotonina. É assustador mas recompensador ao mesmo tempo. 

Por isso aqui estou, depois de ter escrito três páginas de reflexão, a fazer uma última, global. Estou nervosa, inquieta e é para mim um dos piores sentimentos. Odeio sentir que estou a perder o controle e que não consigo controlar o que vai acontecer a seguir. 

Mas na realidade o único controle que eu tenho é nas minhas ações, e em garantir que faço o meu melhor. Por isso, seja o que for, um dia de cada vez, sempre a tentar o meu melhor.

Boa semana a todos. 

03
Dez22

Vim só de passagem desabafar


Effy_Edwards

Comecei a escrever um post sobre obsessões e de como facilmente fico obcecada por novas sensações. Depois comecei a escrever um post sobre a sensação de voltar à realidade e de quão doloroso isso é. Talvez das piores sensações de sempre. Pergunto-me se nasci para viver sempre na minha realidade, ou se deveria mudar. Mas se mudar de realidade não passaria a ser a minha realidade? Será que toda a gente se sente assim? 

A sensação de voltar a casa depois de uma longa viagem, não é, nem nunca foi bom para mim. É uma sensação que a magia acabou, que o que aconteceu jamais acontecerá daquela forma. 

Entretanto os meus pensamentos entrelaçam-se todos num só e ando em picos de felicidade ou de tristeza. E pergunto-me se toda a gente se sente assim, ou se sou só eu. 

Adoro sair da minha zona de conforto, adoro conhecer pessoas novas, projectos, sitios. Mas depois a tristeza que me assombra quando volto à minha realidade é tão grande, que não consigo lidar. 

Tentei escrever este texto de imensas formas diferentes, mas o texto não sai coerente, porque nem eu própria entendo esta faceta minha. É como uma droga que me vicia, e só quero mais e mais. 

06
Nov22

Vamos falar sobre casamento?


Effy_Edwards

Para mim sempre foi algo distante. Sou uma romântica nata, que fica com borboletas na barriga ao pensar em amor, mas o casamento nunca me trouxe sentimento nenhum. Era um meh. Nasci numa casa onde na realidade não me lembro de ver os meus pais felizes. O resto da minha familia também nunca teve tanta sorte. Entre divórcios e casamentos por conveniência ou deixar-se estar casado pela mesma situação, nunca tive, nem tenho alguém que eu olhe e que me pareça estar mesmo casado (como eu idealizo). Olho a minha volta e só vejo pessoas juntas porque sim. 

Quando era adolescente, lembro-me de olhar para o casamento com aversão. Dizia que que nunca iria ter filhos, nem casar. Ultimamente, com mais 10 anos em cima, começo a colocar as coisas de outra prespectiva. Quero ter algo só meu, sem ter aquele peso e impacto que eu acho que a sociedade impõe. Quero fazer as coisas a meu tempo, e na realidade, após passar uma tarde na cama a jogar pokemon united, não acho que tenha ainda a maturidade para tal.  E assim passamos a outro paradigma, quem me diz que não posso ser um adulto e gostar de jogar? Porque sinto esta vergonha de passar uma tarde a não fazer nada de jeito? 

Na verdade o casamento continua a não me dizer nada, mas, comecei a sentir aquela magia pela festa, pelo pedido. Só de imaginar um pedido grandioso, num sitio especial (sem público pf!) dá-me aquele calorzinho no peito e borboletas. Verdade seja dita que nunca fui a um casamento, por isso não sei o que é em concreto e pode ser apenas uma ideia criada pelo filmes e séries. Mas quem me conhece sabe que adoro festas, convivios e expressões de afecto e de amor em palavras.  Por isso comecei a pensar. Após 7 anos de namoro, já estou habituada a responder a essas questões, e eu dizia sempre que era um desperdicio de dinheiro. Mas depois alguém me disse: E se fizesses algo pequeno? Um jantar com os amigos e familia mais próxima. E isso deixou-me a pensar. 

Sinto que do nada surgiu um objectivo que nunca contei, e comecei seriamente  a reflectir sobre o mesmo... Ao mesmo tempo que a menina no meu coração sorri ao pensar no casamento, o meu cerébro, carrancudo e pessimista, pensa nas situações todas que isso pode levar. 

E nada como uma reflexão a um dia tão chocho, que ainda para piorar é domingo...

20
Out22

Felicidade nas pequenas coisas


Effy_Edwards

Ele veio-me buscar e fomos às compras. Chegamos a minha casa e eu preparei um lanche ajantarado. Comemos, falamos e depois fomos ver televisão no sofá. 

A coisa mais mundana possivel, mais normal de sempre. Não houve grandes gestos, não houve jantares elaborados, roupa especial. Fomos duas pessoas que arranjaram tempo uma para a outra depois de um dia de trabalho. Por momentos não pareceu a minha casa, mas sim a nossa casa. Por momentos eramos só nós, neste mundo complicado e agitado. 

16
Out22

O copo meio cheio


Effy_Edwards

Esta semana foi engraçada, um misto de altos e baixos. Começou com a visita de uma amiga estrangeira que não via há quase 5 anos. As energias que ela me trouxe foram incriveis. A sensação de estar no topo do mundo, de ter um mar de possibilidades pela minha frente. Na memórias dela eu era uma pessoa completamente diferente do que sou agora. Na verdade ainda sou essa pessoa, mas perdi-me no meio das responsabilidades, dos problemas monetários e de tudo que achava que deveria fazer. Foi bom acordar essa Effy adormecida, foi bom voltar a ter energia sem ter fim, o que me levou a escrever sobre as pessoas e as suas energias. No meio da reflexão perguntei-me se estaria no lugar certo, se é normal sentir um cansaço diário, uma dormência mental, e de um momento para o outro, graças a uma simples pessoa, ser eu outra vez. Será que estou à volta das pessoas certas? Será que as pessoas me sugam as energias porque querem tanto que eu seja algo que eu não sou? 

Nisso, a meio da semana começou outra reflexão, depois do stress do trabalho e uma chapada de realidade. Posso-vos dizer que esta semana foi tão intensa que nem tempo tive para almoçar, no meio de problemas e reuniões. Nisso tudo começou a minha segunda reflexão, o que é que esta Effy tem que a outra não tem, ou o que a outra Effy tem que esta não tem. 

Antes de tudo a outra Effy tinha menos 5 anos. Era jovem, lutadora, e foi sozinha para um país novo e fez amizades com pessoas desconhecidas. Ela tinha a liberdade de ser quem quisesse. Não estava presa ao preconceito das pessoas que a conheciam há anos, nem as expectativas dos pais, dos amigos ou do namorado. Ela podia ser quem quisesse, porque nunca teria que se importar com o choque das duas realidades. Só aí já temos uma vantagem. A ausência de toda a interferência do mundo exterior. Um mundo só dela, em que ela podia ser quem quisesse e podia simplesmente gerir tudo como queria. Essa Effy voltou para Portugal, e cresceu muito. Concluiu os estudos e começou a trabalhar. Ganhou novos objectivos. Essa Effy passou por um burnout, um acidente de carro (não grave) que lhe aumentou os niveis de ansiedade e problemas monetários. Essa Effy nunca será a mesma Effy de há 5 anos atrás. Mas o que cheguei à conclusão é que não é uma coisa má. Na realidade é uma coisa boa. A Effy de hoje tem ferramentas que eu nunca teria antes. Tem mais motivos para lutar, objectivos diferentes. A Effy de hoje só se esqueceu de como deveria fazer. Esqueceu-se da disciplina que tinha antes e de quanto teve que lutar para chegar onde deveria. E o mais importante de tudo é que essa Effy nunca mas nunca sentiu frustração nem inveja. Essa Effy sabia que tinha que lutar mais que os outros, sabia que tinha que trabalhar aos fim de semanas, que tinha que dar mais que os outros, mas nunca se sentiu menos por isso. Algo que a Effy atual se esqueceu. Não é que sentisse inveja, mas sentia rancor, frustração. Comecei a ver o copo meio vazio, comecei a perguntar-me o que eu fiz para merecer isso, o que eu tenho menos que os outros. Porque é que eu lutei tanto e nunca alcancei nada. E, na realidade esqueci-me de olhar à minha volta. Esqueci-me de reparar o quanto eu alcancei e o quanto ainda tenho para conquistar. E principalmente o quanto eu tenho de agradecer. 

E assim, voltei a ver o copo meio cheio. 

 

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